PÉ NA ESTRADA...

Nós, livros da LITERABC, nos recusamos a ficar guardadinhos em prateleiras. Queremos aventuras! Conhecer gente nova e lugares interessantes! Acompanhe-nos em nossa aventura!

>>>>>>>>§ AMOR INVERTIDO §<<<<<<<<
Dividindo o sofá com Gil, um amor de cachorro aqui na casa de Sonia Nabarrete em São Bernardo do Campo. 
O QUE ELA ACHOU?
Resenha: Amor Invertido 
Gênero: Romance
Autor: Maximiliano Souza
Editora: Modo
Páginas: 196

A descoberta do amor provoca sempre uma profusão de emoções: euforia, tesão, medo... E quando a pessoa amada é , pela primeira vez, alguém do mesmo sexo, todas essas emoções são ressaltadas pelo susto de se descobrir homossexual. É este o tema do romance  “Amor invertido”, de Maximiniano Souza. O autor conta a história de Diego, um rapaz que vive com a família, que tem uma pousada em uma cidade de ecoturismo, e vem a São Paulo para estudar e morar com a irmã. Aqui conhece  Vinicius, um homem mais velho, fotógrafo famoso, e, a princípio, acredita que é namorado da irmã. É com ele que descobre o  encantamento, a paixão e o amor por um igual. Admitir e vivenciar o novo sentimento não é um processo fácil. Tudo se complica quando ele descobre que o fotógrafo foi apaixonado pelo seu falecido irmão e teme ser apenas um “prêmio de consolação”. No livro, o erotismo é tratado de forma sutil, porém nem por isso menos instigante. Em uma passagem, Vinícius é didático sobre o que quer nas preliminares: “Nós dois somos homens, Diego. É só fazer comigo o que faz com você mesmo”.Enfim, “Amor invertido” é uma bela história de amor.




>>>>>>>>§ ERETUS §<<<<<<<<

Gislene me levou para visitar a Casa da Palavra em Santo André.
O QUE ELA ACHOU?
Resenha: Eretus - No início são contos bem-humorados explorando o erotismo dos personagens em situações diversas que vão desfilando ante os olhos do leitor que se diverte diante do universo muitas vezes engraçado e quase sempre provocante dentro de nossa cultura machista e atrelada a estereótipos. Mas aos poucos, como uma trama conduzida com cuidado fio a fio para a construção de uma peça maior, o que eram contos se transformam em um romance policial ao mesmo tempo familiar e único que torna a leitura leve e intrigante até o fim.  Eretos escrito por Sonia Nabarrete é uma paródia divertida e leve perfeita para quem gosta de romances detetivescos como os escritos por Agatha Christie. 
 

 >>>>>>>>§ AMOR BANTO EM TERRAS BRASILEIRAS §<<<<<<<<

AHHHHHHH! Sophia me derrubou nos trilhos da CPTM na Luz, mas eu a perdoei porque ela queria muito terminar a leitura. 
O QUE ELA ACHOU?
A história de amor, simples, gostosa que se anuncia no título, obviamente não é assim. Logo percebe-se que estamos situados em tempos de escravidão, portanto o leitor já sabe que "amor (sic) em terras brasileiras" não será um livro fácil de se ler, principalmente porque esse amor é banto. Esse amor foi traficado e arrastado de sua terra natal, de sua história, de sua família.  Apesar disso, a história é contada sim de forma leve, porque afinal, não é necessário pesar a mão nos fatos históricos. Todos sabemos da violência, da dor, da animalidade cruel marcante do período e todos  nos envergonhamos dela (né?!). Sendo assim, logo nas primeiras páginas do livro o coração se fecha, tenta se proteger, pensamos: "tudo bem, eu vou sofrer nessa leitura". Não é necessariamente verdade.  Israel, junto com Aisameque, o sensível ilustrador do livro, nos traz uma experiência de esperança, de sensibilidade, de resistência e de vitória.
Com mão leve nas tragédias, Israel nos leva a vivenciar o triunfo do amor, AINDA QUE  em terras brasileiras. Os ancestrais e nkisses que surgem silenciosos pela narrativa nos acomodam numa sensação de cuidado, como se a história não pudesse dar errado, afinal os ancestrais estão olhando...cuidando....prevendo. A cultura e o idioma banto são um presente em toda a narrativa, apesar de não haver traduções ao longo do texto, o contexto nos faz entender as expressões. Ainda assim, gostaria muito de ter a tradução de todas as expressões no rodapé, para mais rapidamente me sentir interada de tudo, para poder me colocar no lugar dos personagens, como faço em toda boa leitura, de forma mais natural e rápida. Há um glossário no final do livro para nos aprofundar e também há a explicação dos fonemas, maravilhoso! Mas acho que os jovens - que, espero, muitos leiam! - ficariam mais a vontade com traduções mais "simultâneas". Afinal tudo é tão rápido hoje em dia, acho que a maioria não tem paciência de ir até o glossário e por isso perderão muito da identidade banto tão linda e meticulosamente construída no livro. Com todos esses elementos culturais, nossa ancestralidade e a sensibilidade incrível das ilustrações descobrimos a história de esperança e resistência do Quilombo dos Palmares e isso torna sua história tão íntima e tão alegre, apesar de tudo, que o amor em terras brasileiras ganha uma sensação de infinitude e nos motiva a acreditar no futuro, na preservação da liberdade e na valorização da cultura dos nossos ancestrais. Essa é a sensação no fim: esperança. Esperança no amor em terras brasileiras.

 >>>>>>>>§ TEMPOS DE VIRAÇÃO §<<<<<<<<

Tempos de Viração no aconchego do lar de Mauro Donato no Planalto Paulista.
O QUE ELE ACHOU?
Sejam univitelinos (idênticos que favorecem o imaginário do ser duplicado) ou não, gêmeos são um tema que há décadas permeia a literatura. De Machado de Assis a Darin Strauss e seu magnífico “Chang e Eng” inspirado na história verídica dos irmãos nascidos no Sião – atual Tailândia – que deram origem ao termo “irmãos siameses”.
Não raro, nem por isso menos instigante, o mote é bem desenvolvido no romance “Tempo de viração”, de José Waeny.Explorando a dualidade tanto dos personagens como das situações decorrentes de um par de irmãos, Waeny submete ainda o protagonista num dilema constante entre o catolicismo e o espiritismo. O autor demonstra habilidade no suspense. A obra não se pretende um thriller, mas mantém o leitor em estado constante de suspensão. Difícil largar a leitura. A obra, atravessada pela subjetividade, possui dois narradores. Ora em primeira pessoa, ora em terceira. A alternância é mais um recurso que provoca o leitor, tal qual estar diante de alguém que sabemos possuir um irmão gêmeo. “Qual dos dois será agora?”. Ligeiro, o romance de José Waeny é uma sucessão de diálogos que, embora corriqueiros, trazem profundidade aos personagens. Mas é no protagonista Nelson, um médico, que toda a complexidade humana é despejada. Ainda que passe boa parte de sua vida em contato com a praia, o protagonista jamais coloca sequer os pés na água. A interação dele com o mar não vai além dos momentos em que permanece olhando de longe as mudanças de marés que, sabe-se lá por que, ele nunca tinha ouvido falar e as chama de “viração”. Um cara apático, estranho, desses que possuem casa no litoral, mas não frequentam a praia e nada entendem da natureza. Amargurado por uma tragédia que se abate sobre sua família, Nelson já de início deixa claro acreditar que o mundo conspira contra ele. Homem bom e solidário, cuja ingenuidade por vezes resvala na burrice, o protagonista deseja consertar a vida alternando um comportamento apático com arroubos de valentia.
A despeito de seu discurso contaminado de soberba (as ofensas que dirige às mulheres são de um machismo repugnante), Nelson é vítima de algumas traições terríveis que justificam seu recorrente sentimento de que a todo momento alguém irá lhe passar a perna. “Tempo de viração” merece uma nova edição revisada e bem produzida. Tem conteúdo bom para a formatação editorial pouco caprichada (dificuldade comum a autores nascidos num país que pouco lê). A viração de páginas do livro de José Waeny garante bons momentos ao leitor. Aventure-se.



  >>>>>>>>§ A PRINCESA COM OLHOS DE GATO §<<<<<<<<

Dando uma voltinha noturna pela boa vizinhança de Vila Sônia em São Paulo com Sophia Aloha.
O QUE ELA ACHOU?
AQUI




 >>>>>>>>§ GRILHÕES DO AMOR §<<<<<<<<

Confortavelmente instalado no sofá da sala comigo, GRILHÕES DO AMOR, está José Waeny que vive aqui na Chácara Monte Alegre, Zona Sul de São Paulo.   
 O QUE ELE ACHOU? 
Fiquei impressionado pelo estilo que encontrei ao ler este livro tão bem escrito, por uma autora tão jovem! Um livro objetivo e rápido, mas abrangente e envolvente. De uma forma requintada e dinâmica, Marília nos conta o desenrolar da paixão entre a filha de um latifundiário da tradicional
família paulista e um escravo de sua fazenda. Mesclando o português corretíssimo com elementos da umbanda, Marília leva o leitor a ter contato mais intimo e esclarecedor com a cultura africana, que montou a religião sincrética do povo brasileiro. Também é muito bem explorada a vida de uma rica menina que sofre entre ser o exemplo esperado pelo pai, e a amante sem preconceitos que aceita e é dominada pela paixão por um negro cativo. Sempre bordejando pela lacuna espiritualista, a trama demonstra como um episódio horrendo se torna a plena figura de almas condenadas pela maldade e lascívia, num final próprio e conciliador. Uma obra muito bem planejada e interessante, que explora a
formação da sociedade brasileira, encaixando muito bem a religião católica, a cultura cafeeira e a mixagem de raças que construiu nosso país.


>>>>>>>>§ ALÉM DO PÓ §<<<<<<<<



Na escrivaninha do quarto de Mahana Cassiavillani, aqui no bairro Jardim em São Bernardo do Campo, entre diversos livros, eu, ALÉM DO PÓ, me sobressaio!

O QUE ELA ACHOU?
De acordo com Walter Benjamin, depois da Segunda Guerra Mundial, o narrador estaria morto. Isso porque os soldados voltavam mudos de histórias. É o que acontece com Ferruccio Fellegara, avô do autor, para quem o tema da guerra era tabu. Mas as narrativas não morreram, e algumas histórias precisam ser contadas. É o que faz Mauro Donato em seu Além do Pó, que traz, na biografia de seu avô, informações importantes sobre a Guerra. Particularmente importante nesse momento em que vivenciamos a volta do fascismo, é importante lembrar de seus horrores para que não se repitam. O livro é enxuto, mas a concisão não atrapalha a difusão de fatos reais sobre o período. Mauro Donato não é estranho à arte da escrita, sua narrativa além de informar traz prazer. Por isso, o livro é pertinente tanto para aqueles que desejam saber mais sobre esse evento histórico que mudou os rumos da humanidade quanto aqueles que apenas buscam apreciar uma boa narrativa.

 >>>>>>>>§ ERETOS §<<<<<<<<

Eu,  ERETOS, na cama com Sophia Aloha em Vila Sônia, São Paulo.

 O QUE ELA ACHOU?


Em poucas palavras, moral e sexualmente explícitas, Sônia Nabarrete nos apresenta a história de vários personagens. Pessoas comuns, como você e eu, que fazem muito sexo e cagada na vida. Ligadas por um objetivo comum: a ganância, acabam emboscadas em um sonho paradisíaco. Um a um os personagens morrem. Acredite, não é spoiler dizê-lo já que a fórmula de Sônia é safadamente inspirada em uma trama conhecida. O que torna o livro delicioso é como tudo acontece: explicitamente. A risada durante a leitura é muito fácil, já que as situações ridículas em que se encontram nossos protagonistas nos dão intimidade com a narrativa, menos fácil é a excitação. Apesar de explícito, não encontrei erotismo que me estimulasse os hormônios - o que a maioria espera encontrar quando adquire um livro denominado erótico - posto que minha mente queria muito saber o que aconteceria em seguida. As imagens sexuais são rápidas, simples e cruas bem como a violência... tudo se apresenta tão leve que a leitura rápida nos diverte mais do que choca. Um livro adulto delicioso por sua trama e simplicidade em apresentar-nos os óbvios tabus sociais sem redenção.


 >>>>>>>>§ OYÁ E OS ESCOLHIDOS §<<<<<<<<

Visitando São Bernardo do Campo. Gislene Vieira de Lima terminou minha leitura em um dia de sol. Mas no dia seguinte no mesmo horário, o céu escureceu e repentinamente o dia virou noite. Hoje estão informando que isso ocorreu por conta de nuvens de queimadas que se misturaram com as nuvens de chuva. A água caiu escura e a noite se espalhou por todos os cantos. O sol voltou e lá me vou em busca de novos leitores e novas aventuras. 
O QUE ELA ACHOU?
 AQUI

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